Sabe, eu acho isso de cozinhar uma coisa interessante. Tem todo aquele lado enrolativo da coisa, como, por exemplo, você ser o seu alimento, você conhecer melhor a si mesmo, você aprender a apreciar comida diferente, o fato de a comida feita por você ter um gostinho especial (no meu caso é um pouco salgada e meio grossa, mas isso varia ;-) ), e por aí vai. Mas não é isso, no fundo, o motivo de eu realmente querer aprender a cozinhar.O buraco é mais embaixo, eu diria.
Eu me divirto observando como comida funciona, quais seriam as regras por trás de um bom molho, quais as combinações legais, e por que, e quais as blue notes perdidas no fundo dos melhores pratos. De certa forma, é muito parecido com programar, só que ao contrário. Um prato seria um problema a ser resolvido, e a receita feita por cada um seria o programa feito pra resolver isso. No fim, um monte de gente vive fazendo coisas parecidas até que, eventualmente, vem um louco e reinventa um prato comum de um jeito surreal.
Eu acho bonito e interessante poder fazer isso, e poder entender como isso é feito. Os detalhes são infinitos.
(foto: fettuccine com molho de tomate e manjericão, meu programa de sexta-feira à noite sozinho em casa)
2 Responses to “Por que isso?”
Pra mim, fazer comida é como tentar imitar a bruxa e seu caldeirão mágico, com a pata de rato, a asa de morcego e aquelas gotas de líquidos verdes e vermelhos que ela joga e faz fumaça. E o caldeirão ferve, ela ri, sente o aroma com seu nariz verruguento e num repente, ela percebe que está tudo pronto. Esses elementos exóticos são como os ingredientes e o repente da bruxa é o objetivo gastronômico do prato de comida perfeito e delicadamente programado pra causar um orgasmo, como na tortinha de chocolate de matrix reloaded.
Para mim, fazer comida é entrar em outro modo; um paramodo bastante gostodo. Assim como atuações sempre dependem muito da interpretação do ator, meu personagem 'cozinheira' depende muito de minhas notas, minhas nuances momentâneas. A receita feita, evolada, leva um pedaço de mim. Um pedaço bom, um pedaço ruim; inconveniente ou surpreendente.
Minha comida é humanóide até os dentes. Mas não refuto à tese de Top... Programar também é humanóide até os dentes, logo...
:)
Aline
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